Terça-feira, 28 de Setembro de 2004
SENHOR DOS CÉUS….......
View image
Um Antonov – 124, de fabrico russo, esteve na Base das Lajes este Domingo, 26, saindo da base terceirense na manhã de ontem. O Antonov – 124 Condor é o “irmão mais novo” do Antonov – 225, considerado o maior avião do mundo, que, curiosamente, escalou as Lajes este Verão.
O Antonov – 124 Condor, cujas caracteríticas o colocam no segundo lugar da tabela das maiores aeronaves do planeta, tem 69 metros de comprimento, 73 metros de envergadura e 21 metros de altura. Esta aeronave é semelhante ao C-5 Galaxy, embora com diferenças nas medidas. O Antonov- 124 já escalou a base das Lajes noutras três situações.
É desconhecida a razão da sua passagem pela Base das Lajes, suspeitando-se tratar-se de uma viagem para aqui deixar material electrónico.

DI


publicado por sys.systen às 21:34
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|

Festival Internacional cheio de “estrelas”
De 29 a 31 de Outubro, na Praia da Vitória
Festival Internacional cheio de “estrelas”

O Festival Internacional do Ramo Grande vai trazer à Praia da Vitória nomes como Jeff Berlin, Stanley Jordan, António Azambuja e Eric Sardinas.

Foram divulgados ontem os nomes dos músicos que vão marcar presença em mais uma edição do Festival Internacional do Ramo Grande, que este ano tem lugar de 29 a 31 de Outubro.
Os espectáculos realizam-se no Auditório do Ramo grande e, por ordem de actuação, vão estar na cidade da Praia da Vitória, a 29 de Outubro, o fadista António Zambujo e Stanley Jordan.
António Zambujo, que actualmente está incluído no espectáculo de Filipe La Féria, “Amália”, nasceu em Beja e desde cedo diz ter encontrado no Fado “uma vibração comum ao “cante” alentejano.
Entre família e amigos foi cantando e aos 16 anos de idade ganhava um concurso de Fado, ao mesmo tempo que estudava na Academia de Música de Beja.
Apresentou-se em Lisboa variadíssimas vezes, no Clube do Fado - espaço gerido pelo guitarrista Mário Pacheco -, altura em que fez audições para o musical “Amália”, “papel que obteve e lhe valeu um grande carinho por parte do público.
Com o encenador, António Zambujo diz ter “aprendido a disciplina que muitas vezes falta aos cantores” de Fado e gravou em 2002 o disco compacto “O Mesmo Fado”, preparando-se para editar um segundo.
Dono de voz pouco comum nos meios fadistas, de António Zambujo diz-se que 2será sem dúvida uma referência a considerar no futuro quando se falar de Fado no masculino”.

DIA SEGUNDO
O espectáculo a decorrer no dia 30 abre com a presença de “L’ham de Foc”, proveniente de Valência, Espanha.
O grupo fundado em 1998, em Espanha, reflecte o desejo de Mara Aranda e Efrén Lopez, de explorar “territórios musicais menos conhecidos do grande público e foi dessa pesquisa que saiu o primeiro disco “U” (Um), acompanhados pela companhia madrilena Sonifolk.
O disco recebeu os maiores elogios da crítica e considerado como um dos melhores de 1999 por rádios como a Rádio 3, de Espanha bem como emissoras francesas e belgas, tendo a sua venda atingido bons níveis, também na Holanda e Grécia.
Seguiram-se convites para os mais diversos festivais dentro e fora de Espanha.
O grupo aumentou em número de músicos e diversificou o tipo de instrumentos.
Na segunda parte do espectáculo actua uma verdadeira lenda: trata-se de Stanley Jordan de quem se diz que tentar descrevê-lo é como “querer explicar em menos de dez palavras a teoria da relatividade, porque faltarão sempre algumas palavras”.
Mais conhecido como guitarrista que criou novos sons para este instrumento, Stanley Jordan construiu um nome que faz dele uma referência entre os guitarristas do século XX.
O músico obteve uma licenciatura em teoria e composição, pela Universidade de Princeton (EUA), porém escolheu fazer vida como músico de rua, tocando em Nova Iorque, Filadélfia e várias outras cidades do oeste e sul da América.
Apesar de ter obtido reconhecimento público de forma rápida e recebido convites para gravar discos, Stanley Jordan foi adiando esse momento, considerando não estar preparado, pelo que só em 1985 decidiu gravar o “Magic Touch”, disco que esteve em primeiro lugar dos Top de Jazz durante 51 semanas consecutivas.
Uma verdadeira lenda viva.

JEFF BERLIN
Outra lenda viva é Jeff Berlim, que se apresenta neste Festival Internacional do Ramo Grande.
Ele é “apenas” considerado como “o melhor solista de viola baixo do mundo, reconhecimento que ganhou desde a década de 1970 e ainda mantém.
É com esse “peso” que vai actuar na Praia da Vitória.

OITAVA EDIÇÃO
O Festival do Ramo Grande vai já na sua oitava edição e na nota distribuída à imprensa, a organização acentua que “este festival tem como razão, a celebração da música, trazer o Mundo à Praia da Vitória, onde à ilha assiste o direito à dignidade cultural como em qualquer parte do mundo.”
Por outro lado, “tem sido também uma forma de preencher o calendário cultural numa altura do ano onde pouco acontece e que de uma forma ou outra promove um determinado e próprio turismo interno entre as ilhas.
À parte da vertente cultural, “este festival tem tido a preocupação de trabalhar junto das escolas a atenção para esta aculturação, chamando a atenção de todos para a música que nos rodeia e a razão de o ser e do passado, refiram-se nomes como Aziza Mustapha Zadei, Lila Downs, Gilberto Gil, Betty Carter, de um total de 70 músicos e agrupamentos musicais.


DI


publicado por sys.systen às 21:32
link do post | comentar | favorito
|

Segunda-feira, 6 de Setembro de 2004
Música--Festival Angrarock no seu melhor
Com nomes como Reamonn, Rádio Macau e Flowing Tears, estão reunidas as condições para que o Festival Angrarock 2004 seja mesmo o melhor de sempre.
A opinião é de Hélio Vieira, director de produção do Festival Angrarock.
“Este ano, temos todas as perspectivas de que este será o maior Festival Angrarock de sempre, não só pelo cartaz, mas por toda a envolvência em termos organizativos, pois empenhámo-nos este ano no sentido de garantir uma organização mais eficaz do que em anos anteriores”, afirma.
“As nossas perspectivas de facto são as melhores, até porque este ano, ao que tudo indica, o tempo nos vai ajudar, o que não tem acontecido, infelizmente, em anos anteriores”, acrescenta.

EXPECTATIVAS
Os Flowing Tears foram as estrelas da primeira noite do Festival Angrarock 2004. A banda germânica realizou ontem no Recinto do Bailão, em Angra, aquela que foi a sua primeira actuação nos Açores e a segunda em Portugal.
Para os Flowing Tears, a participação no Festival Angrarock constituiu a melhor maneira de terminar a época de Verão.
“É óptimo estar aqui. É algo muito especial para nós. Penso que é um bom final para a época de festivais”, refere o baterista Stefan Gemballa.
Numa conferência de imprensa realizada antes do espectáculo, a banda mostrou-se também ansiosa por ver e ouvir o que se vai fazendo em termos de música na Região.
“Estou ansioso por assistir a espectáculos de bandas açorianas. Na Alemanha é difícil ouvir seja o que for de bandas dos Açores ou de Portugal e posso imaginar como é difícl para as bandas daqui serem conhecidas no resto da Europa”, salienta Stefan Gemballa.
Os Flowing Tears surgiram em 1995, mas foram necessários sete anos para a banda conquistar muitos admiradores na Europa e Estados Unidos com o disco “Serpentine”, lançado em 2002.
Nesse mesmo ano, a banda é convidada para integrar a digressão europeia dos portugueses Moonspell.
Depois da entrada da actual vocalista, Helen Vogt, em 2003, a banda lança o seu mais recente trabalho discográfico – “Razorbliss”, editado em Março de 2004.
Os Flowing Tears são Helen Vogt (voz), Benjamin Buss (guitarras e programação), Frederic Lesny (baixo) e Stefan Gemballa (bateria).
A noite de ontem contou também com a presença dos portugueses The Temple.
A banda mostrou-se muito satisfeita por tocar no Festival Angrarock, que considera estar em clara ascensão.
“Este Festival tem potencialidades para se desenvolver, ganhar reputação e passar a chamar cada vez mais pessoas até de Portugal continental ou até quem sabe de outros países”, afirma o baterista Rui Alexandre.
“Tenho grandes expectativas em relação à noite de hoje, porque já passaram por aqui alguns nomes sonantes da música, nomeadamente internacional”, revela o baixista Hugo Oliveira.
Com uma sonoridade influenciada pelo punk e heavy metal, os The Temple existem desde 1993.
O quinteto de Lisboa é formado por João Luís (voz), José Carlos e João Afonso (guitarras) Hugo Oliveira (baixo) e Rui Alexandre (bateria).
O último trabalho discográfico dos The Temple , “Diesel Dog Sound”, foi gravado em Londres, nos Philia Studios, com a produção de Dave Chang e a participação de Fernando Ribeiro (Moonspell), Zé Pedro (Xutos & Pontapés) e do acordeonista Ricardo Pereira.
Coube aos terceirenses Lithium, que alcançaram o terceiro lugar no Concurso Angrarock 2004, abrir a edição deste ano do Festival Angrarock.
Katita (Voz), Bruno (Guitarra/Voz), César (Baixo/Voz), Jerry (Samples / Teclados) e Silas (Batera) foram os primeiros a subir ao palco do Recinto do Bailão.

RÁDIO MACAU ACTUAM HOJE (04/09/04)
Os portugueses Rádio Macau animam a noite de hoje do Festival Angrarock 2004. A banda, que celebrizou temas como “O elevador da Glória”, “O Anzol” ou “Amanhã é sempre longe demais”, actua pelas 00h15.
Antes sobem ao palco do Recinto do Bailão, pelas 22h00, os terceirenses Penumbra, que alcançaram o segundo lugar no Concurso Angrarock 2004.
Segue-se a actuação da banda belga de rock gótico Star Industry, pelas 23h00.
Amanhã, domingo, os Reamonn prometem encher o Recinto do Bailão, para o concerto mais aguardado da edição deste ano do Festival Angrarock. A banda garmano-irlandesa, famosa pelo seu tema “Star”, actua pelas 23h00.
A abrir a noite, actuam os terceirenses Volcanic, que alcançaram o primeiro lugar no Concurso Angrarock 2004.


publicado por sys.systen às 00:01
link do post | comentar | favorito
|

Domingo, 5 de Setembro de 2004
Tomás Salvador
to.jpg
Um olhar sobre os Açores
por:Vanda Mendonça

As ilhas açorianas, as suas paisagens e as suas gentes, são o pano de fundo de uma exposição de fotografia de Tomás Salvador, patente no Centro Cultural e de Congressos de Angra, até 10 de Setembro. O fotógrafo apaixonou-se pelos Açores durante umas férias passadas no arquipélago, no Verão de 2003.
“Vim aqui há um ano, porque já me tinham falado muito disto. Fiz o curso de mergulho antes de vir e vim fazer férias. Sempre gostei muito da natureza e de conhecer pessoa e sítios”, conta.
“Estive dois meses nos Açores e não tive tempo para ver tudo. Passei na Terceira, Faial, São Jorge, Pico, Flores e Corvo. Andei de um lado para o outro o máximo de tempo que consegui. De carro, de mota… Corri todos os pontos da costa e do interior. Conheci muita gente, vi muitas festas e adorei”, acrescenta.
Como todos os turistas, Tomás Salvador foi registando as suas descobertas, os locais, os momentos e as pessoas através da fotografia. A mostra patente no Centro Cultural de Angra é uma pequena parcela desse álbum de recordações.
“Ia com a câmara e ia fotografando de vez em quando. Para ser sincero, até nem foi tanto pela motivação de fotografar. Inclusive, quando cheguei às Flores já nem fotografei, pois estava de férias e não estava par aí virado. Queria estar com as pessoas e estar com calma sem ter de fazer a fotografia porque tinha de fazer”, explica.
“Aquelas que fiz foram porque senti que tinha de registar aquilo que via, que era lindíssimo. Nunca tinha sentido a força da terra, do mar e dos céus como cá. Foi um grande impacto. Eu vim sozinho, mas os dias passam e vamos começando a sentir-nos parte do meio”, diz.
A realização de uma exposição de fotografia foi o pretexto ideal para regressar aos Açores. O fotógrafo contactou a Câmara de Angra, que gostou do seu trabalho e resolveu apresentá-lo ao público terceirense.

Conselho de amigo
Tomás Salvador nasceu na cidade do Porto há 29 anos. Terminado o ensino secundário, ingressou no curso de Relações Internacionais, que acabou por não concluir.
“Deixei o curso porque não me via mesmo a fazer alguma coisa relacionada com Relações Internacionais. Sempre fui uma pessoa muito independente e deixei o curso e fui para Inglaterra ganhar a vida a fazer todo o tipo de coisas”, conta.
A fotografia entrou na sua vida por acaso. “Na altura não sabia o que ia fazer. Então dois amigos meus, que, na altura, também tinham deixado os cursos para se dedicarem à pintura, sugeriram-me a fotografia. Não sei porquê, pensavam que eu devia ter jeito. Eu tinha 23 anos e nunca tinha pensado em fotografia”, recorda.
“A fotografia surgiu como uma salvação, porque queria ter alguma coisa que me pudesse ligar monetariamente à vida”, afirma.
Entusiasmado com a ideia, começou a comprar livros de fotografia e, durante três anos, foi autodidacta. As saudades da terra natal, fazem-no regressar ao Porto, onde faz o curso de Fotografia, no Instituto Português de Fotografia.
“A formação que tive foi dos livros de fotografia. A fotografia é uma coisa simples. Não é uma coisa muito complicada, pois tem poucas variáveis. Se se souber aquilo que cada coisa faz, depois é uma questão de, com o tempo, ir explorando até onde se pode ir”, sublinha.

Fotografar por prazer
Tomás Salvador é fotógrafo free-lancer, desde Dezembro de 2003. Desde então, participou já também em diversas exposições individuais e colectivas, na cidade Invicta.
“Até agora tenho tido sorte. Tudo aquilo a que me tenho proposto tem sido aceite. Mas estou ciente de que isto não vai durar sempre”, refere.
O último trabalho que realizou foi para uma Junta de Freguesia da cidade do Porto. O artista propôs fotografar diferentes zonas da freguesia, inclusive bairros sociais, e realizar uma exposição de rua em cada uma dessas zonas. O objectivo foi levar as pessoas a “verem o que se passa no sítio onde vivem, porque de outra forma não o viam”, explica.
O trabalho como free-lancer tem-lhe permitido sobreviver e, sobretudo, fazer o que gosta. “Tem dado para sobreviver”, afirma.
“Em termos de exposições, também tenho vendido, mas não é fácil. É difícil vender fotografias. Enquanto um quadro pode ter várias interpretações, uma fotografia não. Uma fotografia real é sempre aquilo, é só aquela imagem. Ou seja, a pessoa tem de gostar mesmo muito para tê-la na sala, a ponto de querer vê-la todos os dias”, salienta.
Em relação ao futuro, Tomás Salvador pretende continuar a explorar a arte da fotografia, sempre com muito prazer à mistura.
“Gostava de continuar a fazer este tipo de coisas. No fundo, há é que ter ideias de fotografar aquilo que pode proporcionar algum gozo e tentar vendê-las a quem possa estar interessado”, diz. E conclui: “Não estou propriamente ainda numa fase em que pense «só quero fotografar isto» ou «só fotografo se for isto». Estou aberto a qualquer tipo de coisa desde que me dê gozo fotografar”.


publicado por sys.systen às 23:58
link do post | comentar | favorito
|

Palácio Silveira e Paulo
anex.jpg
Acordar de séculos
por:Andreia Fernandes

Ao gosto “fim de século”, o palacete Silveira e Paulo constitui, na cidade de Angra, um dos mais notáveis exemplares da arquitectura de transição entre os séculos XIX e XX.
As artes decorativas nas salas e salões sublinham a magnificência do palácio, construído com recurso aos melhores materiais disponíveis na época.
Os sobrados e pavimentos elaboradamente marchetados em madeira de várias espécies e tons; os ferros fundidos das sacadas e torre; as sancas decorativas, em gesso com acabamento a folha de ouro, prata e pintura policromada são características que distinguem o edifício, objecto recente de um restauro criterioso.
Sobressaem ainda os trabalhos em estuque, por vezes polícromos, nos florões dos tectos e paredes das salas dos dois andares nobres.
Conta-se que os vidros coloridos do mirante foram postos para que se visse a paisagem envolvente nas tonalidades das diferentes estações do ano.
Um restauro criterioso permitiu que se mantivesse o edifício tal como era. Com apenas algumas adaptações às necessidades actuais, todas as salas foram objecto de restauro e de recuperação.
“Uma das características muito engraçadas deste edifício, em termos estruturais, aquilo que não se vê, é que há vigas de pinho resinoso, todas contraventadas. Ao longo de cada compartimento correm quatro tirantes metálicos que atravessam as vigas todas, o que lhe dá um tratamento e uma segurança para-sísmica grande”, refere José Correia Guedes, engenheiro que acompanhou a obra.
“Na parte estrutural é tudo original, foi tudo recuperado. No que diz respeito aos acabamentos, algumas das madeiras tiveram de ser substituídas. O chão entalhado, só foi possível recuperá-lo em dois compartimentos. Os outros dois, que ainda mostravam vestígios desse chão, houve que fazer tudo de novo.
“É muito engraçado porque o chão tem a estrutura de vigas, por cima tem uma espécie de soalho, mas, enquanto nos compartimentos menos nobres fica o soalho, nos outros esse soalho, depois, é coberto ainda por outros elementos de madeira entalhados, fazendo desenhos muito ricos no chão, como, por exemplo, no salão nobre. Houve que repor dois desses pavimentos já com processos modernos”, explica o engenheiro.
“É fundamental numa recuperação ter em atenção como funciona a estrutura tradicional e tentar não alterar. É ela que vai funcionar, ajudada por quaisquer malhas que se ponham nas paredes”, refere.
Algumas vigas da estrutura que foram extraídas, foram aproveitadas para substituir algumas tábuas de sobrado, ou para fazer reparações nas portas.
“Reciclámos todo o material que tirámos daqui. Os materiais principais conservámo-los o mais possível. Mantivemos a estrutura a funcionar. Reabilitámos a estrutura antiga, com uma excepção, que foram as chaminés.
“Com o sismo, as chaminés partiram, envolveram-nas com betão, foi uma boa solução na época porque consolidou as chaminés. Retirámos esse betão, verificámos que as chaminés estavam todas partidas, deve ter sido milagre não caírem no sismo de 80 e foram todas feitas de novo.
Há que reparar que as bocas são feitas em mármore, que foi reposto”, refere.
São quatro chaminés, todas a funcionar.
“Nós substituímos as chaminés por umas novas, mas pusemo-las exactamente ligadas ao sítio da cozinha, a funcionar”, sublinha Correia Guedes.

Materiais de luxo
Outra das características do palacete é que todos os materiais exteriores de revestimento, da fachada, vãos, janelas, portas e o próprio soco são importados do continente – lioz, mármore do Alentejo, pedra azul de Cascais – o que afirma o valor da obra.
“Neste palácio há tudo o que é de melhor”.
“As únicas peças dos vãos das portas e janelas que não eram em lioz eram em traquito. O traquito tem características que lhe conferem infelizmente perecibilidade. Se lhe entra água acaba por se desfazer. Estavam todas desfeitas em pó, e foram substituídas por lioz novamente trazido do continente.
“Nós procurámos nas próteses que fizemos aplicar exactamente os mesmos materiais e as mesmas receitas”.
Até os fechos e dobradiças das portas e janelas antigos foram utilizados.
“Estes fechos estavam todos pintados e, portanto, dissimulados. Um dia, sentei-me aqui com muita pachorra e uma faca e raspei a tinta toda e disse ao empreiteiro, ‘olhe eu quero os fechos assim e os que não houver faça-os de novo’. E assim foi, houve quinze fechos que tiveram de ser moldados a partir do fecho antigo e feitos de novo”, lembra o engenheiro.
Também foram aproveitadas as paredes interiores em tabique, ligadas às estruturas de pavimento e cobertura. “Têm também um efeito estrutural. Eu relembro que os tabiques no sismo de 80 salvaram muita gente, porque enquanto as paredes exteriores das casas se desfaziam, os tabiques conseguiram aguentar a estrutura”, lembra o engenheiro.
“O projecto não previa o aproveitamento das paredes de tabique. Nós, depois na obra, é que modificámos”.
Os tabiques têm uma estrutura de madeira. Antigamente, a primeira camada de revestimento levava cabelo humano ou crina de cavalo e, depois, era acabado com estuque (uma argamassa de cal, gesso e areia branca). O tecido que o cabelo humano constituía foi agora substituído por fibra de linho. O acabamento foi, depois pintado, mas em alguns tetos ainda se utilizaram os materiais originais para fazer a cor – cal pigmentada.
As escadas são de dois tipos, traduzindo a configuração das casas da época. Umas eram para os serviços, as grandes escadarias para os senhores, que corriam paralelas para evitar encontros.
Hoje em dia a escada de serviço foi transformada em caminho de fuga aos incêndios, preparada com materiais adequados.
“Um dos lances que estava muito degradado foi substituído, não conseguimos arranjar o pinho na medida em que foi dos últimos acabamentos. O pinho das vigas já tinha sido gasto na estrutura e nas portas e janelas e tivemos de importar madeira diferente, obviamente que já não existe esse produto, ou seria muito difícil encontrá-lo no mercado. Então substituímos por uma madeira muito parecida”, refere Correia Guedes.
Além do chão em madeira encontra-se também no palácio chão em mosaico, em xadrez preto e branco.
“Isto foi uma das primeiras aplicações do cimento. O cimento é do século XIX e uma das primeiras aplicações foi em mosaicos. São constituídos por uma base de cimento com uma camada de cimento branco mais rico com pigmento. Isto a partir de final do século XIX começou a ser muito utilizado. Veio substituir o lajeado de terra ou as pedrinhas miúdas. É já uma solução relativamente moderna.
“Aqui é todo novo. É um processo de fabrico artesanal. Este veio de uma fabriqueta que há no Alentejo”,diz Correia Guedes, referindo-se ao chão da sala de reuniões, instalada onde, no início, terá sido a copa do palácio.
“Mas aquilo que se podia aproveitou-se. Sempre na tentativa do restauro, seguindo a filosofia do restauro minimalista”, acrescenta.
“Tentámos seguir as lógicas do restauro, ao ponto de pedir aos serviços de Desenvolvimento Agrário que nos dessem uma ideia para o jardim”.
O resultado foi a plantação de espécies semelhantes à flora de São Tomé, onde os Silveira e Paulo foram fazer fortuna, como a bananeira ou o café.

Relevos decorativos
Os relevos em gesso, que decoram tectos e sancas também foram recuperados.
“Durante anos não se cuidou do gesso, a conservação não foi feita e muitos gessos estavam perdidos, pelo menos parcialmente. Aproveitámos as figuras existentes, que serviram como contra-molde.
O molde obtido foi cheio de gesso, conseguindo-se recuperar muitas das figuras e florões.
“Procurámos, sobretudo no salão nobre, fazer a recuperação dos gessos. Calculo que um quarto do salão nobre, com aquela sanca ricamente decorada, quanto a mim até excessivamente, mas era próprio da época.
“Para reconstituir aquelas cores utilizámos também os materiais originais, alguns dos quais eram o ouro e a prata. Aquela sanca tem ouro, pelo processo da talha dourada e prata. O decorador resolveu até, no canto mais problemático, que ainda tem um pouco de humidade, folhear a platina”, descreve Correia Guedes.
“Conseguimos refazer a maior parte das figuras em relevo das sancas de gesso e reconstituir a pintura e o folheado”.

Vista para a cidade
Da torre do palacete Silveira e Paulo vislumbra-se a cidade de Angra em todas as direcções.
“Penso que isso também foi uma tentativa de afirmação do construtor. Havia aqui um solar que foi deitado abaixo e no sítio foi construído este edifício. Ainda há restos desse solar do século XVIII”, refere.
Os vidros coloridos da torre são uma dificuldade que ainda se tenta ultrapassar, já que os antigos se partiram todos.
“Esses vidros coloridos tiveram que vir da Alemanha e não têm a transparência que nós gostávamos. Estamos a fazer uma investigação para ver se conseguimos realmente o vidro liso”, refere.
“O azul está correcto, o vermelho também está, só o castanho é que eu acho que não está bem”, acrescenta.
Correia Guedes enaltece a opção de recuperar o palácio. Afirma que mais dois ou três anos seriam fatais, passando o ponto de se poder restaurar.
“Este palácio tem requintes, é da época do palácio dos Sotto-Mayor de Lisboa, um bocadinho mais novo. A fachada tem pormenores muito ricos”.
A entrada, contrariamente, não condiz com o resto do edifício.
“A entrada foi a gota de água que fez transbordar a ira e o descontentamento do construtor deste palácio. Na história desapareceu e nunca mais quis saber do edifício. Depois dele estar pronto, penso que realmente ele deve ter gasto a fortuna toda nesta riqueza”, refere Correia Guedes.
Ao cimo da escadaria grande continua o vitral que representa duas figuras, a agricultura e o comércio.
“Foram exactamente, mitologicamente, as figuras que protegeram o construtor do palácio, o comendador Silveira e Paulo”.

Adaptações à actualidade
As necessidades da realidade actual obrigaram a algumas alterações interiores, nomeadamente ao nível de instalações sanitárias, adaptações a deficientes motores, infra-estruturas de telecomunicações e informática e regras de segurança, nomeadamente saídas de emergência e sistemas de alarme.
“Para este edifício ter a funcionalidade que lhe quiseram dar houve necessidade de muni-lo com compartimentos e dispositivos especiais. Em primeiro lugar, os elevadores. Este é um dos edifícios mais altos de Angra do Heroísmo. Tem seis pisos, corresponde a um quinto andar, a torrinha é o quinto andar. É um edifício muito alto, está realmente muito bem dimensionado talvez por isso não se note, houve então que fazer a adaptação dos elevadores, um para pessoas e outro para cargas.
“Houve necessidade também de fazer casas de banho, que são um dos grandes problemas dos edifícios de construção tradicional. Nas casas de banho geram-se grandes quantidades de vapor de água e água no estado líquido também, com grandes infiltrações que, normalmente, podem provocar danos graves na construção de madeira”, refere Correia Guedes.
Segundo explica o engenheiro, a introdução das casas de banho e da estrutura dos elevadores fez-se através de uma coluna de betão que permite evitar os inconvenientes das humidades.
“Para instalar aqui os serviços precisámos de um rede integrada de telecomunicações – telefone e computadores. Tivemos que estudar caso a caso, o encaminhamento das tubagens. Chamo à atenção que é uma das coisas que têm de ser vistas logo de início. Chega-se aqui e quase que não se vêem os cabos.
“Em muitos sítios fizemos passar por baixo do rodapé falso, foi uma ideia do engenheiro Péricles Ortins, que nos ajudou no acompanhamento dos trabalhos dessas especialidades”, acrescenta Correia Guedes.
Este projecto de restauro e adaptação, levada a cabo em cerca de um ano e meio, foi elaborado pela Gestécnica e arquitecto Latino Tavares. As obras foram adjudicadas ao consórcio Ensul/Construtora de Vila Franca e fiscalizadas pela direcção regional da Cultura.
Alguns trabalhos, nomeadamente de cor, dos gessos decorativos, foram realizados por empresas locais e de fora da Região.

Centro de Conhecimento
A recuperação do palacete Silveira e Paulo possibilitou a instalação dos serviços da direcção regional da Cultura e de um Centro de Conhecimento dos Açores, uma espécie de mediateca, aberta ao público, que faculta o acesso a informação sobre a Região em arquivo digital, vídeos ou CDs.
“A ideia é que o edifico não seja ocupado com funções meramente administrativas. Este edifício tem uma carga memorial muito forte, foram gerações e gerações de alunos que por aqui passaram e, por conseguinte, há uma relação muito forte, afectiva, com esta casa.
“Por outro lado, pela sua arquitectura, que é marcante, é quase um edifício único na cidade de Angra, pareceu-nos que deveria ter acessibilidade pública. É esse o entendimento que temos, o património não é de ninguém, é de todos, por essa razão criámos duas zonas de acesso livre, de modo a que as pessoas possam cá vir trabalhar e fluir deste espaço que é lindíssimo, não só pela decoração exterior e interior, mas também pela vista que tem sobre a cidade de Angra”, refere o director regional da Cultura, Vasco Pereira da Costa.
Como refere Correia Guedes “a utilização de edifícios deste género é que permite fazer a sua manutenção.
“A política de ocupação deste edifício com funções, além da satisfação de todas as necessidades tem essa vantagem que é de permitir que o edifício seja mantido”.
O Centro de Conhecimento dos Açores reúne um Núcleo de Estudos Genealógicos; um arquivo fotográfico; arquivo fonográfico; o Inventário do Património Imóvel dos Açores; bibliografia da Região e uma universidade do tempo livre.
Em quatro postos de computador pode consultar-se o arquivo fotográfico dos Açores, que está a ser realizado no âmbito do MEDIAT (Memória Digital Atlântica – fotografia).
Podem ser vistas mais de quinhentas fotografias já arquivadas, divididas por álbuns, devidamente legendadas.
“A ideia é reunir todo o espólio fotográfico à guarda das várias instituições, transportá-lo para um suporte mais fiável e duradouro, de modo a que não se manuseiem os documentos originais e disponibilizá-los ao público”.
“Estamos a trabalhar neste momento o álbum da família Dabney da Biblioteca Pública da Horta, também num acervo fotográfico do dr. Corte Real e Amaral, da Biblioteca Pública de Angra”, exemplifica o director regional da Cultura.
Mas além das fotografias pertencentes à Região, pretende-se arquivar em formato digital todo o espólio fotográfico de particulares.
“Se alguém tiver fotografias em casa que sejam curiosas, que esteja na disposição de emprestá-las, o que nós fazemos é digitaliza-las, pô-las em suporte mais duradouro, tratá-las e utilizá-las nas condições que o proprietário entender, pode ser só para ver aqui, ou servir trabalhos de investigação”, refere.
Simultaneamente, está a ser preparada uma história da fotografia nos Açores.
Nos computadores pode ainda consultar-se o Núcleo de Estudos Genealógicos, que reúne passaportes, registos paroquiais (casamentos, baptismos) que tal como as fotografias estão a ser digitalizadas de modo a poderem ser consultadas e preservadas (já que muitos estão em avançado estado de degradação).
“Tem interesse sobretudo para as comunidades emigrantes. Não imaginam as solicitações que temos para saber até em que barco é que foram, em que dia é que partiram e, claro, para os genealogistas”, refere Vasco Pereira da Costa.
Pode ainda consultar-se em formato digital livros que estão esgotados há muito tempo ou já antigos.
Espólios como o do Rádio Clube de Angra (desde actuações de Amália Rodrigues ou Raul Solnado, à cobertura da Cimeira Nixon/Pompidou) ou de José Noronha Bretão (textos e ensaios em áudio de bailinhos e danças de Carnaval) também começaram a ser introduzidos em computador e passíveis de serem consultados.
A Carta Arqueológica do Açores, que está a ser realizada, também poderá ser consultada. Já podem ver-se fotografias do trabalho do submarino Lula, que neste momento está em Angra.
Além destas informações facultadas pelos meios informáticos, o centro de Conhecimento integra ainda livros, revistas científicas e culturais, vídeos em VHS e CDs, sempre sob o tema Açores.
O objectivo é reunir toda a informação sobre a Região que está dispersa e disponibilizá-la ao público.

Memória Digital Atlântica
O Palacete Silveira e Paulo alberga o laboratório de trabalho do projecto MEDIAT (Memória Digital Atlântica – fotografia), onde se trata, digitaliza e conserva o arquivo fotográfico da Região (que pode ser consultado no Centro de Conhecimento).
O objectivo deste projecto é a preservação do património fotográfico dos Açores, Madeira e Canárias, através da inventariação, catalogação, estabilização e digitalização dos espólios dos três arquipélagos.
Pretende-se a criação de uma base de dados comum às três regiões; a realização de estudos sobre a história da fotografia atlântica; a edição de um roteiro dos arquivos fotográficos dos três arquipélagos e a criação de um portal da fotografia atlântica na Internet. Além de apresentar e divulgar as fotografias, o projecto pretende também comercializá-las, disponibilizando-as a quem estiver interessado.
São parceiros neste projecto a direcção regional da Cultura, a Agência de Desenvolvimento e Inovação de Angra do Heroísmo (composta pela Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e Câmara do Comércio de Angra), o Photogragraphia-Museu Vicentes (da direcção regional dos Assuntos Culturais da Madeira) e o Centro de Fotografia Isla de Tenerife e a Sociedad Cientifica El Museo Canário, de Las Palmas.

Origem do Palácio
A construção deste palacete deve-se a João Jorge da Silveira e Paulo, originário de uma modesta família de pedreiros e trabalhadores agrícolas de Santo Amaro do Pico, freguesia onde nasceu em 1857 (segundo Jorge Forjaz e António Mendes, em Genealogia da Ilha Terceira).
Fez fortuna em Saio Tomé, com o negócio do cacau, que trouxe prosperidade económica a toda a família, através de um irmão mais velho, Domingos Machado da Silveira e Paulo.
Sob a sua direcção e influência, quatro dos irmãos formaram uma importante sociedade, proprietária da roça “Colónia Açoriana”.
Consolidada a fortuna, João Jorge foi agraciado, no final do século XIX, com uma comenda e o título de fidalgo-cavaleiro da Casa Real.
Adquiriu o solar dos Noronhas, junto à igreja da Conceição, em Angraque mandou demoli-lo e, em seu lugar, construiu o imponente palacete, com mirante. Os trabalhos, dirigidos pelo mestre-de-obras micaelense João da Ponte, iniciaram-se em Abril de 1900.

Escola
O Palacete acabou por ser comprado pelo Estado, em 1937, por 84 contos, por proposta do presidente do Conselho Escolar da Escola Comercial e Industrial Madeira Pinto, Álvaro de Castro Menezes.
Foram no entanto depois dispendidos 146 contos nas obras de reparação e adaptação e 30 contos na aquisição de mobiliário e material didáctico.
A escola, que fora fundada em 1899, começava a funcionar no novo edifício em 6 de Janeiro de 1939.
Aquando da extinção das escolas comerciais e industriais, decorrente da revolução de 25 de Abril, ali funcionou o ciclo preparatório, anexo à escola secundária Padre Jerónimo Emiliano de Andrade e o Conservatório Regional, a partir do sismo de 1980. No início deste século foi entregue à direcção regional da Cultura.


publicado por sys.systen às 23:56
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|

Informação
pesquisar
 
Maio 2007
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


posts recentes

carlos moreira

Petição para libertar o s...

Terceiraçor Moto Club Pri...

Noiva de programador de j...

Violação de menor em Pont...

GMC Pad, o Carro-Casa do ...

Windows Vista Build 5308 ...

Virtualização: Microsoft ...

Internet Explorer: É grav...

Um novo systema operativ...

NASA exibira na quarta, a...

Casal termina relacioname...

arquivos

Maio 2007

Janeiro 2007

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Setembro 2004

Agosto 2004

Abril 2004

links
as minhas fotos
Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds