Terça-feira, 20 de Abril de 2004
Artesanato da ilha
Da Ermida de Nossa Senhora das Mercês aos instrumentos da matança do porco ou às ferramentas do calceteiro. Da carroça do padeiro à máquina de fazer vassouras ou aos instrumentos da lavoura. Na oficina de Manuel Azevedo, na freguesia da Feteira, na Terceira, nascem todos os dias miniaturas em madeira dos mais variados e antigos ofícios insulares. Um trabalho a que o artesão se dedica “por gosto”, apesar da falta de apoios e de divulgação.

Da Ermida de Nossa Senhora das Mercês aos instrumentos da matança do porco ou às ferramentas do calceteiro. Da carroça do padeiro à máquina de fazer vassouras ou aos instrumentos da lavoura. Na oficina de Manuel Azevedo, na freguesia da Feteira, na Terceira, nascem todos os dias miniaturas em madeira dos mais variados e antigos ofícios insulares. As suas mãos calejadas reproduzem ao milímetro peças que impregnam o imaginário ilhéu, que servem de recordação para quem vem de visita ou de aconchego para quem parte.
Manuel Azevedo começou a trabalhar a madeira desde que deixou os estudos, ainda jovem. “Quando saí da escola trabalhei de carreiro: fazia amantes da lavoura”, conta. Com o patrão de partida para os Estados Unidos da América e o aparecimento dos tractores, dedica-se à carpintaria. “Trabalhei de carpinteiro, mas há 16 anos tive um acidente e deixei de trabalhar”, recorda.
Há apenas alguns anos, resolve dedicar-se às miniaturas em madeira. “Há quatro anos pensei em fazer estas peças. Vi que me estava a sair bem e estou cada vez aperfeiçoando-me mais”.
Como quase todos os artesãos, Manuel Azevedo é um autodidacta. Para ele, esta é uma arte que não se aprende. Um dom que se tem ou não. “Isto não se aprende. É um dom da pessoa”, afirma.


“A vida está cara”


Mas transformar as madeiras, as colas e o alumínio em verdadeiras obras de arte é um percurso que se vai construindo dia após dia. “Faz-se hoje uma peça, amanhã corrige-se os pequenos defeitos e vai-se melhorando”, explica. “Antes de fazermos uma peça, ela tem de estar na cabeça. Imaginamos aquela peça, adaptamos os materiais e vamo-nos aproximando da realidade. A 90 por cento, porque nunca se consegue fazer a 100 por cento”, acrescenta.
Uma gaiola de touros, por exemplo, representa um dia de trabalho. Há mesmo peças mais complexas que podem levar mais do que um dia a construir. Um esforço que se repercute depois no preço das obras. “Uma peça para ser feita ao pormenor é cara”, sublinha o Manuel Azevedo. “Por exemplo, a prensa são dois dias de trabalho. Se fosse a mil escudos à hora, seria uma peça para 20 contos. Eu faço por metade do preço para ver se consigo vender”, continua.
O tamanho das peças, elaboradas à escala, é outra das dificuldades inerentes ao trabalho do artesão. “São peças muito pequenas que se partem facilmente. Às vezes tenho uma peça quase pronta e tenho de fazer tudo de novo para não ficar com defeito”, refere.
Algumas das suas miniaturas já chegaram ao Brasil, Estados Unidos da América ou Canadá. Mas, como diz, “a vida está cara” e as vendas nem sempre chegam para a despesa. “Muita gente gosta de artesanato, mas comprar já é diferente” salienta, acrescentando que “as pessoas do continente são as que compram mais nas feiras”. “Falam dos emigrantes, mas esses não compram. São muito agarrados ao dólar”, diz.


Espaço para artesãos


Apesar das dificuldades financeiras, Manuel Azevedo dedica-se ao artesanato “por gosto” e pretende continuar a completar a sua colecção de instrumentos da ilha Terceira. “Acabo de fazer uma peça e quero fazer outra ainda melhor”, conta. “E ainda não consegui fazer as peças todas que há. Tenho aqui mais de 100 peças diferentes, mas ainda há algumas que estou a descobrir”, acrescenta.
Às autoridades, o artesão deixa um apelo: é preciso investir mais na divulgação daquilo que é nosso. “Penso que a Câmara de Angra, sobretudo de Verão, devia ter um sítio para colocar os artesãos a trabalhar, duas ou três vezes por semana. Os turistas viam-nos trabalhar e sempre compravam algumas peças”, afirma.
Com exposições já realizadas na Terceira e em S. Miguel, Manuel Azevedo prepara-se agora para mostrar aquilo que melhor sabe fazer à ilha Graciosa. “A ilha Terceira é a ilha que mais artesanato em madeira tem. Pensamos em divulgar mais o nosso artesanato, mas faltam apoios. Agora vou à Graciosa, mas gostava de ir às ilhas todas porque o nosso artesanato é muito rico”, diz. E continua: “Fui convidado para participar numa exposição em Guimarães, mas não consigo ir lá porque as ajudas são poucas. Temos de pagar a estadia e os transportes e para aquilo que vamos vender não compensa”.


Reportagem :

DI

MANUEL AZEVEDO
Artesanato da ilha
por:Vanda Mendonça


publicado por sys.systen às 09:41
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